blood of my blood.

Quando me disseste que tinha de fazer algo deste género para ti, comecei a olhar para trás. A recuar no meu passado, a desenterrar momentos que nem sequer me lembro de ter vivido, a descobrir no meu baú de memórias, recordações que nunca me lembro de ter guardado. Apercebi-me enquanto o fazia que em todos esses momentos há sempre um factor comum: seja em que parte dos meus 15 anos, tu estás presente. 
Não me conheceste desde que entrei para a escola primária, não "fazemos" não sei quantos anos de amizade daqui a não sei quanto tempo. Tu estás desde sempre. 
Conheceste-me antes de eu vir ao mundo, antes de eu saber demonstrar quantos anos tinha ou saber escrever o meu nome até.
Fui, provavelmente, a primeira criança na tua vida. A primeira a quem mudaste as fraldas, aquela a que ensinaste a dar os primeiros passos.
Viveste o mesmo que eu vivi, por isso sei que só tu podes saber o que senti, porque só sente quem está presente.
E, apesar de antes não termos muito boa relação nem sequer longas conversas, eu sei (e é quase que obrigatoriamente) que temos muito tempo pela frente. Porque, afinal, a quantidade também nunca foi sinónimo de qualidade.
E, agora que já tenho idade para isso, que já me viste crescer o suficiente para tal, deixo-te aqui o meu conselho citado, para que o oiças sempre mesmo que não saia de boca alguma: 
"Segue o teu sonho. Sempre. E nunca duvides da sua força."


Parabéns, irmã.



Mafalda Sofia Monteiro Ferreira, since 27 de Outubro de 1990.



(isto é o texto da tua fita fim de curso.)

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